24 de março de 2011

Pilotando a Sportster no autódromo de Piracicaba

Minha Sportster mudou muito do que era originalmente. Harleys são feitas para serem mudadas. A primeira mudança que fiz foram as ponteiras, de projeto próprio. Depois disto, a coisa foi acelerando e... cheguei onde ela está hoje.

O principal para o contexto deste post são as alterações funcionais e não as estéticas.
A moto

Principal alteração: motor. Foi para 1212 cc, pistões forjados NRHS, cabeçote trabalhado, válvulas idem. Também coloquei filtro de ar SE, ponteiras de nossa fabricação, cabos de vela de 8 mm nossos também, velas Splitfire, kit Dynojet no Keihin CV.

Eu acredito que motos devam ser equilibradas (sem trocadilhos). Portanto, fui atrás de uma ciclística que fosse mais adequada ao motor. Na realidade, alterei a ciclística antes do motor. Amortecedores a gás na suspensão traseira e válvulas Intiminator na suspensão dianteira, além do fork brace de nossa fabricação, que evita torções no garfo. As válvulas mudam muito a suspensão dianteira (para melhor, claro). Fica confortável e firme ao mesmo tempo. A suspensão dianteira "lê" o piso com uma precisão excelente.

Pneus: Metzeler na traseira e Firestone na dianteira. Particularmente, acho os Dunlop originais um lixo. São duros demais (têm durabilidade maior, claro...) e prejudicam a estabilidade, principalmente em pisos molhados e no nosso glorioso asfalto.

Freios: coloquei discos flutuantes. E, claro, as pastilhas sinterizadas da AP Racing, inglesas. O flexível dianteiro é Aeroquip. Se a moto anda, também tem que parar.

Transmissão: embreagem de 9 discos SE (um a mais que a original - a original patinava com a abundância de torque do motor 1200). Pinhão: troquei por um mais longo, de 30 dentes, em vez do original de 28 dentes. Alongou a transmissão em 7%. A moto ficou melhor para viajar, mais suave e econômica. Mas perdeu um pouco de arrancada e saída de curva, além de parar de me "chamar" para fazer besteiras na cidade. Mais sobre isto nas considerações sobre pilotagem no autódromo.

Encarando a pista

Eu já havia andado em pista, mais precisamente em Interlagos, há mais de 30 anos, com uma RD 350 (a famosa "Viuvinha"). É delicioso, mas também assusta um pouco no começo. Depois que você pega intimidade com a pista, vai vendo os melhores traçados, forçando mais em alguns lugares, etc.

Conheço bem minha moto e as reações dela. Já rodei mais de 83.000 km com ela em menos de 5 anos. Sei como ela solta a traseira, a dianteira, como acelera, como se inclina. Mas tive algumas agradáveis surpresas a respeito de seu comportamento na pista. Conhecer sua moto pode ser a diferença entre você sair vivo ou morto de situações imprevistas. E também entre você se divertir ou ficar com "olhos de garoupa" (gíria de mergulhador pros caras que entram em pânico embaixo d'água).

Começamos a pilotar ainda com pista molhada. Asfalto bom é outra coisa. É sensível que a aderência é excelente, mesmo em condições longe das ideais.

Mesmo na chuva, a pista é excelente
A Sportster fica muito mais "na mão" na pista. Claro, asfalto bom, aderente, curvas sobrelevadas, bem sinalizadas. Após umas duas ou três voltas, já mais acostumado com o traçado, você vai se soltando tendo um enorme prazer em pilotar a moto. Pra mim, o grande prazer em pilotar uma moto resume-se em uma palavra: torque. E isto ela tem de monte, apesar de um pequeno problema de carburação - o slide do carburador está com uma mola muito leve, às vezes ela falha, outras vezes "pipoca", e isto atrapalha um pouco.

Em um circuito apertado como o de Piracicaba, o torque faz toda a diferença, dentro das curvas e na saída delas. Puro prazer acelerar e ver que a bichinha quase levanta a roda dianteira em algumas curvas. Voltando ao pinhão mais longo, só me arrependo de tê-lo colocado nestas horas, a gente perde um pouco de torque na roda. Seria um pouco mais divertido com o pinhão original. Mas, não se pode ter tudo.

Os freios funcionaram admiravelmente bem. Ainda não os havia testado tão a fundo e eles realmente fazem muita diferença. Dá pra chegar bem rápido na entrada de curva, frear forte e deitar a moto. As dicas do Tite sobre frenagem ajudaram muito. Claro, nem pense em deitar a Sportster sem uma boa dose de contraesterço. Todos os motociclistas usam isto, mas alguns nem percebem.

Olhos nivelados, olhar pra dentro da curva, contraesterço
A suspensão e pneus também foram postos à prova. Muito bons! O projeto da Sportster é antigo, você tem que "dizer" pra moto, a cada instante, incessantemente, o que você quer que ela faça. Não é um carro automático com direção hidráulica. É uma moto esportiva, como seu nome diz (e como tem gente que acha que ela é custom!!!! hehehe!!!). Contraesterço obrigatório, corpo bem para a frente, pra colocar mais massa no garfo e evitar fuga da dianteira, cabeça o mais horizontal possível, olhando pro final da curva.

Aqui, o contraesterço é bem visível: roda pra direira, moto deitando pra esquerda
Nunca tire os olhos do final da curva. Se você olhar pro seu pneu, pode "comprar um terreno" no meio da pista. Pra ver os outros motociclistas que estão perto, só visão periférica.

O câmbio das H-Ds é duro, mas também é preciso (se você tiver força no pé esquerdo, claro). Não consegui usar 5a. marcha na pista. O pinhão alongado não deixava. Além disto, o Tite, sabiamente, colocou cones para um slalom obrigatório na grande reta, para evitar que os mais arrojados entrassem muito rápido na primeira curva.

Curvas são, em minha opinião, a essência da pilotagem de motos. O prazer de fazer bem uma curva é fantástico. A Sportster - pelo menos a minha - não me decepcionou. Claro, não é uma japa esportiva (embora só tenha visto as ER-6 pelo retrovisor - hehehe!), mas ela te dá muito prazer, principalmente porque você precisa estar no controle o tempo todo.

Raspei a pedaleira poucas vezes, já que, na pista, você usa mais o pêndulo e as curvas têm sobrelevação, o que ajuda. As saídas de curva são excelentes, também.

Pendular sempre é gostoso...
Em resumo, foi isto. 59 km de pista, ou 29 voltas no circuito. Puro prazer.

Nota sobre o JP e sua RK (Road King, pra quem não é do meio Harley): o cara é egresso das Speedys e pilota MUITO. Parabéns, garoto!

2 comentários:

  1. Grande Garoto!!! Fazendo das suas, ainda. Isso é aventura. Isso é viver. Vai fundo, acelera!

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  2. Valeu, garoto!

    []s

    Carlão

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