24 de novembro de 2012

Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí, Brasil

Estivemos no Piauí entre os dias 1 e 5 de outubro último.

Na realidade, fomos para o Parque Nacional da Serra da Capivara. A área do parque é vasta e vários municípios são vizinhos a ele. Ficamos em São Raimundo Nonato, a maior destas cidades e a que oferece melhor infraestrutura.

Vista geral da Serra da Capivara

O parque, pouco conhecido dos brasileiros, mas muito visitado por estrangeiros (americanos, asiáticos, europeus, etc.), é de uma beleza fantástica, com vegetação de caatinga e também algumas áreas com resquícios de mata atlântica e floresta amazônica. Há 10.000 anos, segundo os arqueólogos, era um verdadeiro paraísto tropical, com fauna e flora típicos da região amazônica.

Hoje a região abriga um ecossistema predominantemente de caatinga. A seca está assolando o NE e não chove por lá há mais de dois anos... Mesmo assim, a beleza da região é incrível.
A Pedra Furada
A área do parque fica a sudeste do estado do Piauí e o jeito mais fácil de se ir, atualmente, é por Petrolina, PE. A estrada é muito boa, bem nova, e a passagem aérea é mais barata - muito mais! - do que a de Teresina. A estrada por Teresina está em péssimo estado...

São 420 km de Petrolina a São Raimundo Nonato (daqui pra frente abreviaremos para SRN, ok?). O percurso foi feito em 5 horas, boa parte à noite, devido ao horário de chegada do vôo em Petrolina. Havíamos combinado com um motorista de van, o Neto, cara de uma responsabilidade incrível e ótimo motorista, de nos apanhar em Petrolina e nos levar até o hotel, em SRN. Viagem tranquila e sem problemas. O Neto vai e volta todos os dias, roda praticamente 900 km em um dia, 20.000 km em um mês... Como opção, há uma linha de ônibus, mas somente em dois horários, de manhã e no final da tarde.


O vale das Andorinhas
A Jackie conheceu o parque por motivos profissionais, há mais de cinco anos, já que é advogada da Fumdham (Fundação Museu do Homem Americano), que toma conta do Parque, na ausência de uma política preservacionista mais séria por parte das 3 esferas de governo.

Jackie com a Dra. Niede Guidon
A Fumdham é presidida pela Dra. Niede Guidon que, apesar do nome francês e de ter estudado arqueologia por mais de 10 anos na Sorbonne, França, é brasileiríssima, de Jaú, SP. O trabalho da Dra. Niede começou no início da década de 1970. Tudo era feito com auxílio de animais de carga e as dificuldades eram enormes. Se hoje o Piauí ainda luta muito para deixar o subdesenvolvimento, imagine-se na época...

Um dos sítios com pinturas rupestres
A região onde encontram-se as pinturas rupestres é considerada o maior sítio arqueológico a céu aberto do mundo. O parque é administrado de maneira profissionalíssima, mais do que isto, com muito amor, pela Dra. Niede, que conseguiu incutir em seus funcionários a mesma paixão com que dedicou toda sua vida ao Parque.

Toda a nossa visita foi acompanhada por Elisete, guia muito experiente, muito educada e prestativa. Recomendamos fortemente o trabalho dela. 

A onça branca
Em suas pesquisas, a Dra. Niede conseguiu provar que o ser humano habita o continente americano há, pelo menos, 50.000 anos. Ela também conseguiu impedir a destruição de um patrimônio arqueológico não só brasileiro, mas da humanidade.

O hotel que ficamos é simples. Os apartamentos contam com TV, frigobar e ar condicionado, uma necessidade na região (detalhe: enquanto estivemos lá, a temperatura em Sampa esteve, por 3 dias, mais alta que no sertão piauiense... Sinais claros, em minha opinião, da desertificação aqui no Sudeste). O casal que administra o hotel, D. Nelma e Sr. Humberto, é extremamente simpático e prestativo. Sou vegetariano e eles se desdobraram para atender minhas necessidades - não passei fome, com certeza. Além disso, providenciaram um gostosíssimo bolo de macaxeira quentinho para que eu pudesse comemorar meu aniversário.

Pinturas com figuras humanas e animais


Figura símbolo do Parque


Pedra Furada vista à noite


Painel na Pedra Furada

SRN é bem servida de serviços de telefonia fixa e celular. Claro, o sinal some na área do parque, cuja entrada mais próxima de SRN dista 17 km por asfalto.

As estradas dentro do parque são de terra, mas excelentes, mantidas pela Fumdham, com drenagem, concreto no piso em trechos difíceis, etc.

Nossa volta foi tão tranquila quanto a ida. Saímos às 6 h da manhã e chegamos antes do almoço no aeroporto de Petrolina. Almoçamos lá mesmo e partimos para Recife, onde fizemos uma conexão com duas horas de espera...

Em resumo, um lugar belíssimo, de beleza às vezes surreal e com a arte pré-histórica em evidência.



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6 comentários:

  1. Que passeio incrível! :)
    Tenho que ir a esse lugar conferir as pinturas rupestres de perto. Fantástico!

    Abraços,
    Lillian.

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    Respostas
    1. Vá sim, Lillian! Tenho certeza de que não irá se arrepender. Abs,

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  2. Belas fotos. Está na minha lista já há algum tempo :)

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    Respostas
    1. Obrigada, Jodrian. É um lugar incrível com uma importância arqueológica que poucos conhecem. Quando resolver ir me avise, ok? Abs.

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  3. Obrigada pelas dicas ! excelente redação e boas fotos do Parque.
    Qual é a BR de petrolina ate SRN ?
    Eu pretendo ir no verão. deve ser bem quente, mas como vcs disseram e eu bem sei, no sudeste está igual ou mais quente.

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  4. Obrigada pelas dicas ! excelente redação e boas fotos do parque.
    eu pretendo ir. qual é a BR do petrolina até SRN ? (É BR ou rodovia estadual ?)

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