5 de fevereiro de 2013

Investimentos imobiliários

Pra quem não conhece a gíria motociclística, "comprar terreno" significa queda.

Ontem investi em um imóvel em área bem valorizada aqui em São Paulo, no cruzamento da Duque de Caxias com a Conselheiro Nébias, região conhecida como "Boca" e que concentra o comércio de peças e serviços para motocicletas. Um metro quadrado bem valorizado.


Deixei a moto pela manhã no Pardal - famoso alinhador de chassis, recuperador de rodas e montador de pneus, além de cobrar preços justíssimos - para a troca do pneu traseiro.

Fui pegar após o almoço. Retirei a moto da oficina, que fica a uns 50 m da esquina acima mencionada. Até chegar à esquina, fiquei recitando o mantra "não se esqueça da cera do pneu novo, não se esqueça da cera do pneu novo"...

Também pra quem não sabe, pneus novos de moto vêm com uma cera protetora, que, como toda boa cera, é bem escorregadia.

Parei no semáforo e comecei a pensar na vida. O semáforo abriu, eu sai e, ao cruzar a Duque de Caxias, o "célebro" entrou em modo automático (paranoid mode on, give 'em hell mode on, etc.) e abri o gás. Cera? Que cera?

A cera do pneu novo que fez a traseira escapar debaixo da moto e ela rodar que nem pião.

Depois que parei de centrifugar, como diz o Tite, fiquei imediatamente em pé. Foi instintivo. Precisava saber se conseguiria levantar-me o que, entre outras coisas, confirmaria que eu estava consciente.

Logo após levantar - e talvez simultâneamente - pensei: "como está a moto?!?!". Bom, agradeço a todos que chegaram até a moto quase que junto comigo e que me ajudaram a erguê-la e colocá-la na calçada. Bem em frente à loja onde compro peças para o Fusca...

Comecei a sentir a adrenalina baixar. E a pensar um pouco. E, claro, a sentir algumas dores. Controle de danos:
  • joelhos direito e esquerdo doendo (caí pra direita, o direito doía mais)
  • algum dano - naquele momento sem ordem de grandeza - no músculo adutor da coxa esquerda
  • idem, quadriceps direito
  • dor moderada na nádega direita
  • dor moderada - e aumentando - no rim direito e redondezas
  • leves incômodos nas mãos
Moto:
  • manete do freio torcida, mas operante
  • espelho direito trincado e torto
  • pisca dianteiro direito torto
  • perda da lente de pisca traseiro esquerdo
  •  alforje traseiro direito - que, nobremente, protegeu boa parte da moto - bem avariado
Motor funcionando, moto funcional, mas eu com as dores aumentando e sem a menor condição de pilotá-la.

Liguei pra Jackie. Ela estava no clube, não muito longe dali e, em 10 minutos, chegou lá.

Eu decidi mandar a moto pro Dotz&Arthur (Ride & Roll Garage) pra que ele verifique se houve mais problemas. A seguradora demorou quase duas horas pra mandar o caminhão plataforma. O motorista não tinha tudo que era necessário pra amarrar a moto. Claro, ajudamos o cara a amarrar a moto, se não o estrago, no deslocamento, seria muito maior do que o causado pela queda... Mão-de-obra no Brasil não tá fácil...

No caso, contamos com a prestimosa ajuda do Alex (não sei o sobrenome dele - mas é motociclista de raiz, tinha acabado de deixar uma Deluxe que comprou na esquina do acidente, na Wal Custom, pra trocar os pneus). Ajuda inestimável, simpática e agradável. Grande sujeito.

Depois  da moto embarcada, fui pro PS lamber minhas feridas. Mais sobre isto no próximo post.

Em resumo, após 7 trocas de pneus traseiros (a Sporty já está com quase 115.000 km...), esqueci do diabo da cera e comprei terreno.

Fotos? Não fotografo tragédias.

Espero que eu tenha aprendido...



Siga no twitter: @subanagarupa | Curta no Facebook: Suba na Garupa!



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...