28 de setembro de 2010

Santa Fe, NM – Los Alamos, NM – Vallez Caldera, NM - Farmington, NM

Café da manhã rodeados de gente esquisita...
Acordamos e fomos tomar café no Counter Culture, café recomendado pelo "O Guia". Os waffles e panquecas estavam deliciosos. O bar é divertidíssimo, principalmente pela sua frequência. O pessoal chega e vai se cumprimentando com um "nemastê" básico, vestindo roupas estilo indiano, bem Vila Madá, mas tomam café, comem farinha branca e açúcar refinado de montão.

Saímos do Counter Culture, eu pilotando e com a Jackie na garupa, ambos sem capacete - sensação deliciosa, diga-se - com a missão de encontrar e fotografar as placas da Route 66 no centro de Santa Fe. E conseguimos, of course.

A Route 66, que passava pelo centro de Santa Fe, antes de 1938
Passeamos um pouco mais no centro de Santa Fe e visitamos a galeria de arte do Chuck Jones. Pra quem não sabe ou não se lembra, Chuck Jones foi um dos maiores diretores de desenho animado da Warner. Dirigiu dezenas de episódios do Pernalonga, Patolino, Frajola e Piu-piu, etc., e criou personagens imortais: Bip-bip (Roadrunner, em inglês), Willie E. Coyote e o gambá francês. Ganhou dois Oscars da Academia por isto.

Na galeria estão expostos diversos originais dele e mesmo esboços de trechos de episódios dos desenhos, depois transformados em celulóide.

A Chuck Jones Gallery, em Santa Fe
Almoçamos no The Shed e seguimos viagem para Los Alamos.
The Shed, que fica no interior de um quarteirão e tem um belo jardim
Saímos para visitar o Bradbury Museum of Science, em Los Alamos. Belíssimo, muito bem estruturado e de graça. É o museu que conta a história de como a bomba atômica foi desenvolvida, iniciando-se com a famosa carta de Albert Einstein ao Presidente Roosevelt, em 1943. A carta está em exposição no museu. Também se conta a dura vida dos cientistas, as condições adversas em que viviam e trabalhavam e porque Los Alamos, no meio de nada, foi escolhida.

Vale a pena a visita ao museu. A cidade é habitada, até hoje, em sua maioria, por uma enorme comunidade científica. Parece que é habitada por um bando de Sheldons... (pra quem vê "The Big Bang Theory", claro).

O Bradbury Museum, que conta a história da bomba atômica e da cidade de Los Alamos
Ainda não havíamos decidido se iríamos por Vallez Caldera ou se pegaríamos uma rota mais direta quando, no estacionamento, fomos abordados pela Lauren, moça que se orgulha de ter nascido e sempre vivido em Los Alamos e que é corretora de imóveis. As placas das motos são da Florida e isto sempre despertou a curiosidade das pessoas, que achavam que vínhamos de lá. Após explicarmos que as motos eram alugadas, etc., ela insistiu em que fôssemos por Vallez Caldera.

A Lauren é muito, muito simpática e nos convenceu a irmos por lá. Conseguiu um mapa para nós e mostrou que não sairíamos nada de nosso caminho. E valeu MUITO a pena!

Subimos uma serra belíssima, que é acesso à estação de esqui de Los Alamos, cheia de curvas, verdadeiras ferraduras, mas valeu. Do alto da serra, descortina-se o Vallez Caldera. Trata-se da cratera de um vulcão que entrou em erupção há aproximadamente 1 milhão de anos. Segundo os cientistas, as cinzas foram até Iowa e a erupção foi cerca de 500 vezes maior que a do Monte Santa Helena, em 1989.

Após a erupção, a cratera implodiu e formou o vale. Em nossa opinião, é de uma beleza tão extraordinária quanto o Grand Canyon ou o Monument Valley. Além da beleza própria do local, há um silêncio simplesmente inexplicável no local.

A explicação da formação do vale
Vista geral do vale - o silêncio impressiona

Nuvem baixa sobre o vale
As motos no mirante do vale
Nada a dizer, só a ver e escutar o silêncio do vale
Descemos o final da serra até Jemez Pueblo. A estrada estava em manutenção, com vários trechos em cascalho, o que nos deixou bem cansados, devido à tensão. H-Ds não foram feitas para isto...

Em Jemez havia um cara bem rústico, daqueles americanos típicos, ruivo, sujo de graxa e com macacão de mecânico, muito simpático, daquelas figuras que a gente não esquece. Abastecemos e seguimos para Farmington. Para nossa surpresa, encontramos com ele novamente umas 50 milhas pra frente, em outro posto de gasolina. Ele veio falar conosco e nos recomendou muito cuidado na estrada, pois era época de animais cruzando a pista.

Agradecemos e seguimos para Farmington. É impressionante como encontramos gente na estrada com uma curiosidade sincera a nosso respeito e sobre nossa viagem, sempre com uma atitude positiva e conselhos muito pertinentes. Após todos estes encontros e outros depois destes, nossa imagem dos norte-americanos não poderia ser melhor. Povo hospitaleiro, com uma curiosidade positiva, sempre disposto a ajudar. Muito bacana isto.

A viagem para Farmington foi mais tensa ainda que no cascalho de Vallez Caldera. Caminhões, péssima sinalização de pista (já era noite e isto dificultava muito a pilotagem), frio apertando e o cansaço atrapalhando tudo.

Em Farmington havia muita polícia nas ruas, muito mais do que já havíamos visto até agora. Também a quantidade de semáforos era impressionante. Paramos em um KFC, onde eu consegui comer um macarrão com molho de queijo e a Jackie comeu frango, mesmo - claro...

Daí seguimos para o motel, da rede Motel 6. No caminho, um acidente feio, com muita polícia, novamente, onde uma 18-wheeler passou por cima de um sedã. Mais um motivo para irmos direto para o motel e ficarmos lá até o dia seguinte. Cidade esquisita, parada de caminhoneiros, cruzamento de rotas diversas e que nada tem a oferecer.

De manhã fomos carregar as motos e havia uma ambulância e um enorme caminhão de bombeiros no pátio do estacionamento do motel. Detalhe - quase encostados nas motos! Não sabemos o que aconteceu, só resolvemos carregar as bicheiras e sair imediatamente de lá! Conto de Stephen King...

Saímos de Farmington e, pela primeira vez aqui nos States, encontramos um ícone das estradas brasileiras: as famigeradas lombadas e também uma infinidade de semáforos nos trechos urbanos. Parece-nos que, quanto mais desenvolvida a cidade, menos tem semáforos, apenas placas indicativas para a diminuição da velocidade, coisa que o pessoal respeita. Lembramos imediatamente do Marc, de Santa Fe... Constatamos, na prática, que o melhor do terceiro mundo norte-americano havia, sim, ficado pra trás.

236 milhas

Um comentário:

  1. parabnes aos 2 uma viaje inesquecivel privilegio pra poucos batan bastante fotos dos kenios das montanhas planices estradas imande para nos viaja pelo deserto americano e uma censaçao de liberdade infinita belém,pará 15/02/2011 hora:13:20

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